Operação Overclean: PF Investiga Desvios Milionários Ligados à Codevasf e Elmar Nascimento

Operação Overclean: PF Investiga Desvios Milionários Ligados à Codevasf e Elmar Nascimento

    A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União e a Receita Federal, deflagrou em 17 de julho de 2025 a quinta fase da Operação Overclean, uma ação que investiga um esquema milionário de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, envolvendo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a família do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA).

    A investigação apura fraudes em convênios firmados em 2022 entre a Codevasf e o município de Campo Formoso, na Bahia, reduto eleitoral do deputado. Entre os alvos da operação estão o irmão de Elmar, Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso, e o primo do parlamentar, Francisco Manoel do Nascimento Neto, vereador na mesma cidade. Também está no centro do inquérito Marcelo Andrade Moreira, ex-presidente da Codevasf, que foi indicado para o cargo pela família do deputado. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em várias cidades da Bahia, no Pernambuco e em Brasília, além do afastamento cautelar de um servidor público[1][2][3].

    As suspeitas envolvem uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes licitatórias, corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. Durante as buscas, foi encontrada uma quantia em dinheiro vivo dentro de um par de sapatos pertencente ao vereador Francisco Nascimento, situação que exige explicações legais sobre a origem do montante, mesmo que fosse inferior a 10 mil reais[3][5].

    A operação teve aval do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, que também determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões relacionados aos envolvidos. Entre os crimes apurados estão organização criminosa, obstrução de investigação, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro[4].

    Outro dado relevante é que o ex-presidente da Codevasf, Marcelo Moreira, embora tenha deixado o cargo em junho de 2025, está sob suspeita de tentativa de obstrução da investigação. Atualmente, Moreira aguarda decisão da Comissão de Ética Pública para começar a trabalhar na Novonor (ex-Odebrecht), medida que exigiu quarentena remunerada devido a potenciais conflitos de interesse[4].

    A Codevasf declarou seu compromisso com a elucidação dos fatos e afirmou que continuará a fornecer integral apoio às autoridades policiais e à Justiça, ressaltando que os convênios são de responsabilidade dos órgãos convenentes, como a prefeitura, que devem conduzir licitações e execuções das obras[5].

    Esse caso evidencia a complexidade e a gravidade dos esquemas de desvio de verba pública envolvendo políticos, familiares e agentes públicos, reforçando a importância do trabalho das instituições de controle para garantir a transparência e a correta aplicação dos recursos destinados ao desenvolvimento regional e social.

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