Aliados do deputado federal Eduardo Bolsonaro estão negociando sua nomeação para uma secretaria estadual como estratégia para mantê-lo no mandato mesmo residindo fora do Brasil. A ideia surgiu após o término de sua licença oficial da Câmara dos Deputados, já que sua permanência nos Estados Unidos para atuar como articulador político do bolsonarismo coloca o parlamentar em risco de perder o mandato por ausência não justificada.
Entre os possíveis destinos, governos estaduais aliados, como os de Santa Catarina, sob o comando de Jorginho Mello do PL, e São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas do Republicanos, avaliam criar ou adaptar uma secretaria especial para abrigar Eduardo Bolsonaro. Essa nomeação permitiria que ele se licenciaria novamente da Câmara, mantendo a imunidade parlamentar e evitando riscos jurídicos como cassação ou perda do foro privilegiado.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também aparece como favorito para essa articulação, com planos de criar um cargo específico para que Eduardo possa atuar desde os Estados Unidos, justificando a remuneração com trabalho externo e evitando impasses legais. Contudo, há desafios políticos a considerar, já que a nomeação de um secretário que reside no exterior pode causar desgastes eleitorais, embora o custo político seja tido como menor em estados mais alinhados com o bolsonarismo.
No contexto da eleição presidencial de 2026, esse movimento ganha ainda mais relevância. Governadores de direita buscam apoio do clã Bolsonaro, e o acolhimento de Eduardo em um cargo público pode ser uma moeda de troca estratégica na sucessão presidencial. Por outro lado, líderes de outros estados como Goiás e Minas Gerais têm demonstrado resistência à ideia, preocupados com possíveis repercussões negativas.
Eduardo Bolsonaro, advogado e policial federal, é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e figura política importante do PL. Desde 2015, atua como deputado federal, com destaque em comissões importantes e no comando da bancada do partido na Câmara. Sua atuação política, porém, tem sido marcada por controvérsias e debates sobre seu alinhamento ideológico e posicionamentos firmes em defesa do bolsonarismo.
Essa estratégia, embora não confirmada oficialmente, revela os desafios e tensões das forças políticas conservadoras que buscam manter sua influência apesar das mudanças no cenário político e nos mandatos parlamentares. A nomeação para uma secretaria estadual representa um artifício político para garantir a presença de Eduardo no cenário legislativo, mesmo em meio à sua residência fora do país e as investidas judiciais enfrentadas pelo grupo que lidera.











