Entrou em vigor nesta semana o novo Mecanismo Especial de Devolução (MED) 2.0, criado pelo Banco Central para tornar o sistema de pagamentos instantâneos mais seguro. A principal mudança é que agora passa a ser possível recuperar valores mesmo depois que o dinheiro já tenha sido transferido para outras contas pelos golpistas.
Até então, a devolução só ocorria se o valor ainda estivesse na conta original utilizada na fraude. Como os criminosos costumam movimentar rapidamente o dinheiro para diversas contas, conhecidas como “contas de passagem”, a recuperação dos recursos era, na maioria das vezes, inviável.
Com a nova regra, os bancos são obrigados a rastrear o caminho do dinheiro desviado em golpes e fraudes, identificando as contas intermediárias utilizadas na movimentação. Dessa forma, o sistema pode realizar o bloqueio dos valores e efetuar a devolução à vítima, mesmo após múltiplas transferências.
Segundo o Banco Central, o prazo para bloqueio e restituição pode chegar a até 11 dias após a contestação do cliente, desde que ainda haja saldo disponível nas contas rastreadas.
Outra novidade é a criação de um canal de autoatendimento nos aplicativos bancários para contestação de transações suspeitas. Com isso, o cliente não precisa mais entrar em contato com um atendente para registrar a ocorrência, o que torna o processo mais rápido e aumenta as chances de o dinheiro ainda estar dentro do sistema bancário no momento do bloqueio.
A medida faz parte das ações do Banco Central para fortalecer a segurança do Pix, diante do aumento dos golpes aplicados por meio de transferências instantâneas. A orientação é que, ao perceber qualquer movimentação suspeita, o usuário registre a contestação imediatamente pelo aplicativo do banco.
Com o MED 2.0, o Pix passa a contar com um sistema mais eficiente de rastreamento e recuperação de valores, reduzindo prejuízos para vítimas de fraudes e dificultando a atuação de criminosos no sistema financeiro.












