Os professores e demais trabalhadores da educação básica de Minas Gerais estão mobilizados desde o dia 4 de março em uma ampla campanha por valorização salarial e melhores condições de trabalho. A principal reivindicação da categoria é a recomposição de 41,83% nos vencimentos, índice que, segundo os profissionais, corresponde às perdas inflacionárias acumuladas entre 2019 e 2026.
Além da pauta salarial, o movimento também levanta críticas à política educacional do Estado, cobrando o fim da privatização de escolas, medidas contra a precarização do ensino público e a abertura de uma mesa de negociação efetiva entre o sindicato da categoria e o Governo estadual.
Um dos pontos mais debatidos pelos trabalhadores é a política fiscal adotada pelo Executivo mineiro. De acordo com a categoria, o Estado teria deixado de arrecadar cerca de R$ 100 bilhões em impostos nos últimos sete anos por meio de renúncias fiscais, o que teria impactado diretamente os investimentos em áreas essenciais como a educação, gerando um déficit estimado em mais de R$ 24 bilhões no setor.
Enquanto isso, o Governo anunciou um reajuste linear de 5,4% para todo o funcionalismo público, proposta considerada insuficiente pelos educadores. O deputado estadual Celinho Sintrocel criticou o índice apresentado e destacou a defasagem histórica dos salários da categoria. Segundo ele, Minas Gerais figura entre os estados que pagam os menores salários para professores no país.
O parlamentar também ressaltou a urgência da tramitação do tema na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De acordo com ele, há um esforço para que o reajuste seja votado dentro do prazo permitido pela legislação eleitoral. No entanto, a pauta do Legislativo está travada por oito vetos do Executivo que ainda aguardam apreciação, o que impede o avanço das discussões sobre o reajuste salarial.
Apesar das mobilizações e paralisações promovidas pela categoria, o Governo mantém, até o momento, uma postura considerada rígida e não apresentou um cronograma concreto de negociações. Diante disso, a Campanha Salarial 2026 segue com pressão pela garantia do piso salarial em todos os níveis e carreiras, além da revogação de medidas relacionadas à privatização do ensino.
O cenário econômico também contribui para intensificar o debate. Em 2025, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 4,26% em nível nacional. Em Belo Horizonte, o índice foi ainda maior, alcançando 4,56%, o que reforça a perda do poder de compra dos trabalhadores e a necessidade de uma recomposição salarial mais ampla do que o reajuste proposto pelo Executivo.
Com o impasse instalado, a mobilização da educação em Minas Gerais deve continuar nas próximas semanas, mantendo a pressão sobre o Governo e o Legislativo por uma solução que atenda às demandas da categoria.



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