PF indicia Daniel Vorcaro e ex-presidente do BRB em investigação sobre fraude de R$ 17,5 bilhões

Polícia Federal indicia dono do Banco Master por fraudes financeiras soaquinoticias
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BRASIL – A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outros 13 investigados por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional. Segundo a PF, as penas máximas previstas para os crimes atribuídos a Vorcaro podem somar 41 anos de prisão.

De acordo com a investigação, o caso envolve suspeitas de fraude na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master ao BRB. Um relatório parcial de mais de 600 páginas, encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta a existência de operações com carteiras de crédito consideradas irregulares, que teriam sido apresentadas ao mercado financeiro como ativos de alta liquidez.

PF aponta suspeita de pagamento de propina

Segundo os investigadores, Vorcaro exercia posição de comando no esquema investigado e teria oferecido vantagens indevidas a Paulo Henrique Costa para favorecer os interesses do Banco Master e incentivar sua aquisição pelo BRB.

O relatório da PF aponta que os supostos pagamentos de propina teriam ocorrido por meio de seis imóveis, avaliados em R$ 146,6 milhões. A investigação também menciona indícios de corrupção ativa atribuídos a Vorcaro.

As cessões de crédito investigadas teriam ocorrido entre julho de 2024 e outubro de 2025. Conforme a PF, as operações continuaram mesmo após o Banco Central barrar a venda do Banco Master ao BRB.

Crimes atribuídos aos investigados

Daniel Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes. Já Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.

Entre os demais investigados estão ex-diretores do Banco Master e do BRB, além de Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Vorcaro e ligado ao cartão Credcesta, que oferece empréstimos consignados a servidores públicos.

Este é o primeiro indiciamento de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025. O Banco Master foi liquidado naquele mesmo mês.

Defesas contestam indiciamentos

A defesa de Daniel Vorcaro classificou o indiciamento como um ato “açodado e afoito” e afirmou que a medida antecipa conclusões que, segundo os advogados, a própria investigação ainda não alcançou.

Os representantes do ex-banqueiro sustentam que não existem provas técnicas suficientes de fraude ou lavagem de dinheiro e alegam que não houve prejuízo ao BRB. A defesa também pediu o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão de Vorcaro.

Já a defesa de Paulo Henrique Costa afirmou ter recebido o indiciamento com surpresa. O advogado Davi Tangerino contestou a tese de pagamento de propina e declarou que seu cliente teria identificado irregularidades nas carteiras de crédito do Banco Master e atuado para suspender as operações de compra.

Próximos passos

O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e deverá ser analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliar se existem elementos suficientes para apresentar denúncia contra os investigados.

A Polícia Federal também solicitou a prorrogação do inquérito por mais 60 dias para concluir análises periciais e finalizar o relatório da investigação.

Importante: o indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de envolvimento em crimes. Não equivale a uma condenação judicial, e os investigados têm direito à presunção de inocência.

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