Tecnologia desenvolvida com participação de pesquisadores brasileiros poderá ajudar a identificar mudanças ambientais, combater crimes ambientais e ampliar o conhecimento sobre o território nacional.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, inaugurou o supercomputador Soberano, equipamento de alta capacidade de processamento que utiliza inteligência artificial (IA) para acelerar o mapeamento do território brasileiro. A tecnologia poderá contribuir para identificar características do solo, acompanhar mudanças na vegetação e aprimorar o monitoramento ambiental.
A inauguração ocorreu na terça-feira (27), no campus Pampulha, junto à apresentação de uma câmera hiperespectral capaz de identificar características de materiais que não são perceptíveis em fotografias convencionais. Os equipamentos integram o projeto GeoIDE, voltado à extração de informações geográficas com inteligência artificial. “Fonte: UFMG” (https://www.ufmg.br/comunicacao/noticias/pesquisa-e-inovacao/ufmg-inaugura-equipamentos-de-alto-desempenho-com-uso-de-ia-aplicada-a-cartografia/).
Como funciona a tecnologia?
O supercomputador processa grandes volumes de dados obtidos por satélites, radares, drones e sensores especializados. Com o auxílio de algoritmos de inteligência artificial, o sistema poderá automatizar a produção de mapas detalhados, identificando estradas, relevo, bacias hidrográficas, cobertura vegetal e diferentes formas de uso do solo.
A iniciativa busca acelerar um trabalho que, pelos métodos tradicionais, poderia levar décadas para abranger todo o território nacional em escalas cartográficas detalhadas.
Segundo a UFMG, apenas cerca de 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do Brasil estão mapeados na escala 1:25.000, utilizada no planejamento territorial e na gestão ambiental.
Câmera identifica características invisíveis a olho nu
Outro destaque do projeto é a câmera hiperespectral Hyper-Cam Mini XLW, instalada na Escola de Engenharia da universidade. O equipamento analisa centenas de faixas estreitas de luz, permitindo diferenciar materiais que podem parecer iguais em uma imagem comum.
A tecnologia pode auxiliar na identificação de variações em solos e minerais, além de contribuir para pesquisas sobre vegetação, recursos naturais e mudanças ambientais.
Combate ao desmatamento e prevenção de desastres
Entre as aplicações previstas estão o monitoramento do desmatamento, o combate à mineração ilegal e o planejamento de ações diante de inundações e deslizamentos de terra.
As informações produzidas também poderão apoiar prefeituras, governos estaduais e órgãos federais na gestão de bacias hidrográficas, no planejamento de infraestrutura e na proteção dos recursos naturais.
Tecnologia brasileira e soberania nacional
O Soberano foi projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras. O projeto conta com a participação do Instituto Militar de Engenharia (IME) e da Diretoria de Serviço Geográfico do Exército, além da UFMG.
A iniciativa representa um avanço na capacidade nacional de processar informações geográficas e produzir conhecimento estratégico sobre o próprio território.
Mais do que mapear o Brasil, a tecnologia poderá ajudar o país a compreender melhor seus recursos naturais, planejar cidades e fortalecer políticas públicas de proteção ambiental.
Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).











